sexta-feira, novembro 19, 2010

E o tempo é ainda de fezes

É estranho pensar que um programa como TV Pirata, marco do humor brasileiro, era encarado com mais naturalidade logo após o fim de uma ditadura militar que durou vinte longos anos. Hoje, em tempos de suposta liberdade de expressão, a ditadura do politicamente correto jamais deixaria um programa assim passar. "É muito depravado", diriam, ou, "é uma ofensa às minorias". Mas que minorias, seus putos? Se é assim eu também faço parte duma minoria, a minoria daqueles que não suportam esse mundinho fecal. "Ué, se não gosta, não liga a TV então", há quem arrisque. Antes fosse. O problema é que a "democratização da comunicação" acabou democratizando a idiotice e por mais que você tente escapar, em algum momento ela baterá à sua porta, ou chegará via SMS, ou via "MSN news" ou algo do gênero.

É o oléo de ricínio que a indústria cultural nos enfia goela abaixo. Vemos a indústria cultural conspurcar em nossas cabeças escrotices duma "rebeldia domesticada" de boutique que me embrulha o estômago. É com pesar que observo essa geração bundinha que está aí, louvando aberrações como Restart e "xingando muito no Twitter". Não é à toa que muitas pessoas se jogam de pontes ou cortam os pulsos na banheira.

Fico pensando o que diria Theodor Adorno disso tudo. Se ele, chatola que era, daqueles que só conseguem apreciar música erudita, via com maus olhos o Jazz, o que será que diria da "cena pop" hoje em dia?

Quanto tempo será que ele duraria na Terra antes de cometer suicídio?

quarta-feira, novembro 17, 2010

quinta-feira, novembro 11, 2010

Pensamentos desconexos

Despedida de solteiro é uma coisa curiosa. Os homens vão ao bar, enchem a lata e se atracam com as moças da vida. As mulheres ficam em casa, recebem as amigas e ganham presentes eróticos. É como se falasse: vai lá meu(inha) filho(a), tira o atraso desses anos todos de castidade e pudorsinho católico e seja bem-vindo(a) ao fantástico mundo da monogamia.

Ó céus.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Pensamentos desconexos

As mulheres escolhem, escolhem, escolhem e acabam escolhendo errado. Dão preferência a cafajestes retardados que invariavelmente as magoarão. Depois acabam chorosas num canto, afogando as mágoas em servidas colheradas de sorvete de creme, ouvindo Chico e maldizendo toda a fauna masculina.

Seria uma pré-disposição ao sofrimento? Uma inclinação atávica à auto-flagelação? Se sabem no que vai dar porque insistir no erro?

Já pensei sobre isso inúmeras vezes, mas hoje esse pensamento me veio à cabeça novamente enquanto eu escutava a gloriosa Rádio Muda 105.7 FM. Era por volta das três da tarde, aquele sol árido de Campinas que liquefaz as axilas mais cascudas. No rádio, uma música lamentosa do Chico, daquelas que ele se faz de mulher cantando mágoas de amor. No ato eu pensei comigo mesmo: aposto que quem está apresentando esse programa é uma daquelas meninas que mudou de time de tanto se magoar com a raça masculina. Uma daquelas meninas incapazes de amar qualquer homem novamente, a não ser que o homem em questão seja o Chico. Dito e feito. Acabada a canção a nossa colega pega o microfone e começa a proferir o mesmo velho mantra: "homem tudo não presta. Homem é tudo uma merda e só quer saber de transar com a gente e blá, blá, blá".

Na lata. Ri comigo mesmo dos meus feitos videntícios. Que mundo mais previsível.

sábado, setembro 18, 2010

Pensamentos desconexos

Quem nunca olhou para um cachorro e imaginou que tipo de pessoa ele seria, que jogue a primeira pedra.

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Meu irmão cheirava à maracujá quando era pequeno.

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Uma vez me convidaram para experimentar mousse de goiaba na USP. Eu não fui.

sábado, setembro 11, 2010

Watchmen

Quando se fala em histórias em quadrinhos muita gente torce o nariz como quem diz pejorativamente: "quadrinhos? ah, mas isso é coisa de criança". E aí cometem dois erros: 1)achar que quadrinho é algo "infantilizado"; 2)achar que tudo aquilo relacionado ao universo infantil é necessariamente ruim. Eu poderia citar vários exemplos de quadrinhos que contradizem esse infeliz senso comum, mas vou ficar em apenas um: Watchmen.

Tanto o gibi quanto o filme são de primeira classe. Coisa fina. Mas, ao contrário do que costuma acontecer nesses casos, achei a adaptação para as telas superior ao original em quadrinhos. O filme se mantém fiel ao gibi, mas sem perder a oportunidade de fazer algumas alterações que vieram bem a calhar, como a adaptação do desfecho, que me pareceu mais pertinente.

Só os créditos iniciais do filme com a música de Bob Dylan ao fundo deixam filmes inteiros no chinelo, caso da fraquíssima trilogia do Homem Aranha, por exemplo. Arrisco dizer que Watchmen é o melhor filme do gênero que já assisti, superando até mesmo os novos Batmans, sobretudo o segundo, que bota os filmes de super-heróis em outro patamar.

A história não se prende àqueles clichês maniqueístas, falso moralismo e amor água com açúcar. Pelo contrário, mostra uma realidade sombria e aterradora que já nos é habitual de certa maneira.

Assistam, leiam e confiram.